O terceiro lugar digital: como os adolescentes constroem uma comunidade online

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Os adolescentes de hoje não estão apenas usando a internet; eles estão construindo vidas sociais inteiras dentro dele. Para muitos, os familiares “terceiros lugares” das gerações anteriores – os restaurantes, parques e galerias onde as pessoas se reuniam casualmente – agora existem principalmente nas telas. Esta não é simplesmente uma mudança no onde os adolescentes se socializam, mas uma mudança fundamental no como eles formam uma comunidade.

A Evolução do Terceiro Lugar

O conceito de “terceiro lugar” – distinto de casa e escola – foi descrito pela primeira vez pelo sociólogo Ray Oldenburg como crucial para a conexão social. Esses espaços informais permitiram que as pessoas fossem elas mesmas, construíssem relacionamentos e encontrassem pertencimento. Para a Geração Z, esses espaços migraram em grande parte para o online.

Isto não é uma rejeição da interação no mundo real, mas uma adaptação a um cenário em mudança. Os adolescentes estão a encontrar uma ligação social genuína em ambientes digitais, mesmo quando as gerações mais velhas se concentram frequentemente nas potenciais desvantagens das redes sociais. Como disse um adolescente, a Internet é uma comunidade para muitos, e não o seu oposto.

Por que os Hangouts Digitais atraem os adolescentes

A ascensão dos terceiros lugares digitais é impulsionada pela falta de espaços acessíveis no mundo real onde os adolescentes possam simplesmente ser. As plataformas online oferecem comunidades mais silenciosas e baseadas em interesses, que são menos performáticas do que as principais redes sociais. Plataformas como o Pinterest, por exemplo, permitem que os adolescentes explorem a identidade sem pressão, proporcionando uma sensação de alívio que é difícil de encontrar em outro lugar.

Essa necessidade de expressão segura é fundamental. Os adolescentes querem lugares onde possam explorar quem são, sem a necessidade constante de selecionar uma imagem ou buscar validação. Os espaços digitais muitas vezes proporcionam essa liberdade.

Onde os adolescentes estão construindo comunidades

Os terceiros lugares digitais mais prósperos não são necessariamente as maiores plataformas. Muitos adolescentes se reúnem em:

  • Discord: Clubes virtuais com bate-papos em grupo, canais de voz e espaços criados em torno de interesses comuns, como jogos, anime ou estudos.
  • Roblox e Minecraft: jogos que funcionam como mundos sociais onde os adolescentes constroem juntos, participam de eventos e se divertem com amigos.
  • Bate-papos em grupo (iMessage, WhatsApp, Snapchat): “Salas de estar” sempre ativas para piadas internas, desabafos e conexão constante.
  • Pinterest, Tumblr, Reddit: Espaços estéticos onde os adolescentes selecionam inspiração, exploram a identidade e desenvolvem um senso de identidade sem pressão pública.

Algumas comunidades até preenchem a lacuna entre o online e o offline, formando “Quartos Espaços” – encontros presenciais como círculos de artesanato, clubes de livro ou noites de jogos que se originam de interesses digitais.

Os benefícios: pertencimento e espaço emocional

Os adolescentes descrevem seus mundos on-line como uma base, oferecendo uma pausa no barulho e no julgamento da vida cotidiana. Os terceiros lugares digitais proporcionam espaço para respirar emocionalmente, permitindo-lhes explorar a identidade e encontrar pertencimento.

No entanto, os especialistas concordam que a conexão online não pode substituir totalmente a interação no mundo real. Os adolescentes ainda anseiam por relacionamentos pessoais e individualidade, mas preferem espaços digitais como ponto de partida. Como observou um conselheiro, preferir o online não é o mesmo que querer ficar exclusivamente lá.

Como os pais podem apoiar seus filhos adolescentes

A chave para os pais é a curiosidade, não a crítica. Os adolescentes se fecham quando se sentem julgados. Em vez de questionar o tempo de tela, faça perguntas abertas sobre o que eles gostam online. Seus interesses digitais podem naturalmente levá-los a comunidades offline.

O objetivo não é controlar suas vidas on-line, mas ajudá-los a navegar com abertura e equilíbrio.

Os terceiros lugares digitais não estão a substituir a comunidade do mundo real – estão a desenvolvê-la. Os adolescentes movem-se com fluidez entre espaços online e offline, construindo relacionamentos onde se sentem seguros, compreendidos e livres para serem eles mesmos. Esses espaços são onde eles exploram a identidade, encontram pertencimento e imaginam quem estão se tornando.