A comunicação aberta nas famílias adotivas está fortemente ligada à saúde emocional da criança, mas raramente é uma equação simples. Uma nova investigação destaca que as percepções de “abertura” diferem significativamente entre pais e filhos, sublinhando a necessidade de programas de apoio personalizados que considerem a perspectiva de cada membro da família. Não se trata apenas de se a adoção é discutida, mas de como ela é navegada – e qual versão da realidade prevalece.
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Por que a dinâmica familiar é importante
Muitos estudos historicamente se concentram na visão de comunicação de um único indivíduo. No entanto, as relações familiares são complexas. Compreender as nuances requer reunir as perspectivas de todos os membros, não apenas do adotado ou dos pais isoladamente. Isto é especialmente crucial porque as percepções de abertura não se alinham. Os pais muitas vezes se sentem mais à vontade para discutir a adoção do que os filhos, criando uma desconexão que pode prejudicar o bem-estar emocional.
Discrepâncias geracionais: o que os dados mostram
Um estudo realizado com 134 famílias italianas com crianças adoptadas internacionalmente (com idades entre os 13 e os 17 anos) revelou um padrão consistente: os pais relataram consistentemente níveis mais elevados de conforto e satisfação com conversas relacionadas com a adopção do que os seus filhos. Os adotados expressaram o desejo de mais abertura, sugerindo que o que os pais consideram uma discussão suficiente pode ficar aquém do que a criança precisa. Esta lacuna geracional não é acidental; reflete dinâmicas de poder subjacentes e barreiras emocionais.
O papel das mães versus pais
O estudo também demonstra que os papéis parentais são importantes. A comunicação aberta dos pais teve um impacto mais forte no bem-estar psicológico do adotado – especificamente na autoaceitação, na autonomia e nas perspectivas futuras – do que a das mães. Isto não diminui o papel da mãe, mas destaca que o envolvimento do pai pode ter um impacto único.
Medindo a abertura: a escala de abertura de comunicação para adoção (ACO)
Os pesquisadores desenvolveram uma versão multiinformante da escala ACO para capturar essas percepções variadas. A escala avalia:
- A visão da criança sobre a comunicação com a mãe.
- A visão da criança sobre a comunicação com o pai.
- A visão da mãe sobre a comunicação com o filho.
- A visão do pai sobre a comunicação com o filho.
Essa abordagem garante um quadro mais completo, indo além dos métodos anteriores que dependiam da conta de um único membro da família.
O que isso significa para famílias adotivas
A investigação sublinha a importância de promover um clima familiar baseado na confiança e no diálogo aberto. Quando todos os membros se sentem seguros em compartilhar pensamentos e sentimentos sobre a adoção, as dificuldades emocionais e comportamentais diminuem. Para os pais adotivos, isso significa ouvir ativamente as necessidades dos filhos, validar suas emoções e criar espaço para conversas honestas e sem julgamento.
O estudo também sugere que as famílias adoptivas podem beneficiar de programas de enriquecimento concebidos para melhorar a comunicação. Tais programas devem envolver todos os membros da família, reconhecendo que a perspectiva de cada pessoa é valiosa.
Em última análise, a comunicação de adoção aberta não é um evento único, mas um processo contínuo baseado na sintonia emocional. Requer uma troca cuidadosa, uma reflexão honesta e uma disposição para considerar os sentimentos um do outro.
Ao reconhecer o fosso geracional e adaptar os programas de apoio em conformidade, as famílias adoptivas podem construir relações mais fortes e saudáveis e garantir que cada membro se sinta compreendido e aceite.
