Aumento de nomes agressivos de bebês desperta preocupação entre especialistas

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Um número crescente de pais está escolhendo nomes de bebês inspirados em armas e agressões, uma tendência que os especialistas chamam de “alarmante” devido ao potencial de glamourização da violência. Embora sempre tenham existido nomes de bebês não convencionais, o recente aumento de apelidos como Wesson, Caliber e Shooter representa uma mudança distinta nas preferências de nomenclatura.

A tendência: do sutil ao explícito

A tendência começou no início dos anos 2000, com nomes como Wesson e Caliber ganhando força. Mais recentemente, os pais adotaram nomes como Blade, Cannon, Remington, Colt e opções ainda mais abertamente violentas como Arson, Cutter e Dagger. De acordo com dados da Administração da Segurança Social, estes nomes registaram picos de utilização nos últimos anos, com Wesson a ser utilizado 306 vezes em 2021 e Dagger a aparecer 13 vezes em 2022.

Esta tendência não se limita a referências diretas a armas. Alternativas sutis também estão ganhando popularidade. Archer, que já foi um nome profissional simples, agora é visto como “preparado e polido”, enquanto Barrett, um sobrenome também ligado a armas de fogo, está ganhando força. O apelo reside em parte na ligação dos nomes com imagens tradicionalmente masculinas e na sua ressonância com as tendências actuais de nomenclatura que favorecem escolhas não convencionais.

Por que o aumento de nomes agressivos?

Os especialistas identificam vários fatores que impulsionam esta tendência. Alguns pais são atraídos pelo “espírito renegado” associado a esses nomes, alinhando-se com a popularidade mais ampla de escolhas ousadas e não convencionais como Maverick. A tendência também se beneficia da crescente preferência por sobrenomes como primeiros nomes, com nomes como Shooter, Trigger e Dagger se encaixando perfeitamente nesse padrão.

Contudo, correntes culturais mais profundas podem estar em jogo. A fundadora de nomes para bebês, Jennifer Moss, sugere que alguns pais estão reagindo às mudanças nas normas de gênero, atribuindo nomes agressivos aos filhos, na tentativa de reforçar a masculinidade tradicional. Isto está de acordo com pesquisas que mostram que os pais em estados conservadores são mais propensos a escolher nomes com temas de armas, como Gunner, que está entre os nomes “mais vermelhos” para meninos nos EUA.

Preocupações e recomendações de especialistas

A editora-chefe da Nameberry, Sophie Kihm, rejeita abertamente a tendência, argumentando que nomes inspirados em armas “glamourizam a violência” e são particularmente inapropriados em uma sociedade que enfrenta altos índices de violência armada. Outros especialistas alertam contra o potencial de ridículo ou associação negativa, alertando que tais nomes podem sobrecarregar uma criança com uma bagagem indesejada.

Apesar da controvérsia, a tendência reflecte uma mudança mais ampla na nomeação dos bebés, com os pais a tornarem-se mais aventureiros nas suas escolhas para os rapazes, após décadas de favorecimento de nomes tradicionais. Como observa Sandel, a inclusão de Remingtons ao lado de nomes como Bodhi e Ellis é simplesmente parte de um cenário em mudança.

O consenso entre os especialistas é claro: embora os nomes não convencionais possam ser significativos, os pais devem considerar cuidadosamente as implicações da escolha de um apelido associado à violência ou agressão. Como aconselha Moss, priorize nomes que cresçam com a criança, fomentando a positividade em vez de reforçar expectativas pré-determinadas.