Demissão quase fatal: como o câncer de uma mulher foi ignorado até quase matá-la

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Uma verdade perigosa está subjacente à medicina moderna: os médicos, apesar da sua especialização, são falíveis e os cuidados de saúde são um negócio. A experiência de uma mulher destaca como as pressões sistêmicas e as atitudes desdenhosas podem quase custar a vida de um paciente. Em outubro de 2019, disseram-lhe que tinha um tumor cervical de dois centímetros, mas a indiferença do seu obstetra e ginecologista quase se revelou fatal. Este caso não é isolado; questões sistémicas nos cuidados de saúde conduzem frequentemente a diagnósticos tardios ou incorretos, especialmente para as mulheres.

A Demissão Inicial

O novo obstetra-ginecologista da paciente, descrito como desdenhoso, informou-a casualmente sobre o tumor, sem preocupação. O médico foi interrompido por um telefonema no meio da conversa, deixando o paciente apavorado e confuso. Quando questionada se poderia ser câncer, ela foi informada de que era improvável, minimizada pela observação irreverente de que seria “como ganhar na loteria” se ela tivesse câncer, dada sua idade e histórico médico. Esta demissão não foi tranquilizadora; foi uma subestimação perigosa de um sintoma grave.

O médico marcou uma biópsia, mas insistiu que não havia pressa, apesar dos relatórios radiológicos indicarem preocupação. Ela foi adiada por quatro semanas devido às férias do médico, sem nenhuma alternativa oferecida. O paciente sentiu-se ignorado e desconsiderado, apesar da crescente ansiedade em relação ao tumor em crescimento.

Procurando uma segunda opinião

Movida pelo instinto e pelo incentivo da mãe, a paciente procurou seu ginecologista anterior. Este médico abordou a situação com urgência e compaixão, realizando exames imediatos: ultrassonografia, colposcopia e biópsia em consultório. O resultado foi chocante: um câncer raro e agressivo chamado neuroendócrino de pequenas células de alto grau.

O atraso mortal

O diagnóstico exigiu histerectomia radical, quimioterapia e radiação. A paciente teve sorte de o câncer não ter metástase, mas o atraso já a levou ao estágio 3C, com chances de sobrevivência variando de 0% a 7%. Se ela tivesse esperado pela programação original do médico, provavelmente teria alcançado o estágio 4 e enfrentado uma morte quase certa.

O consultório médico inicial finalmente ligou para agendar a biópsia, há muito adiada, apenas para se deparar com a recusa irada da paciente: ela já estava iniciando a quimioterapia.

Falhas Sistêmicas na Saúde

Este caso não é um incidente isolado. O sistema de saúde americano prioriza a eficiência em detrimento do atendimento ao paciente, com os médicos gastando frequentemente menos de 16 minutos por paciente, grande parte dos quais gastos em tarefas administrativas. As mulheres são desproporcionalmente afetadas, muitas vezes rejeitadas com diagnósticos vagos ou informadas de que a sua dor é psicológica e não física. Estudos mostram que as mulheres têm 50% mais probabilidade de serem diagnosticadas erroneamente com doenças cardiovasculares e 30% mais probabilidades de serem diagnosticadas erroneamente durante um acidente vascular cerebral, em comparação com os homens.

As mulheres enfrentam atrasos mais longos no diagnóstico de doenças como a endometriose, com um tempo médio de espera de seis a dez anos. As taxas de mortalidade materna nos EUA são as mais altas entre os países desenvolvidos e ainda piores para as mulheres negras. A rejeição da dor das mulheres é sistêmica, estendendo-se à depressão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

A luta pela autodefesa

A sobrevivência do autor dependia da autodefesa. Ela brigou com o seguro, implorou por consultas mais cedo e buscou incansavelmente uma segunda opinião. Ela enfatiza que os pacientes devem exigir exames, consultas e cuidados minuciosos, mesmo que isso signifique desafiar a autoridade.

O sistema de saúde exige que os pacientes lutem pela sua saúde, muitas vezes rotulados de “agressivos” ou “histéricos” por fazê-lo. O estigma do peso também dificulta o diagnóstico preciso, com muitas condições descartadas como relacionadas à obesidade. O acesso a cuidados de saúde a preços acessíveis continua a ser uma barreira importante.

Em última análise, a história do autor serve como um lembrete sombrio: os pacientes devem tornar-se os seus próprios defensores, pressionando por testes agressivos, exigindo responsabilização e recusando-se a aceitar atitudes desdenhosas. Vale a pena lutar pela sua saúde, mesmo que isso signifique irritar as penas.

Este caso sublinha uma falha crítica nos cuidados de saúde modernos, onde o lucro e a eficiência muitas vezes superam o bem-estar do paciente.